
O que me proíbe de ligar para aquela pessoa que está enchendo o meu coração do mais sublime dos sentimentos, e dizer-lhe tudo o que sinto? Falar do quanto é bom ouvir a sua voz, sentir o seu cheiro, o seu calor, do quanto preciso da sua presença? É apenas o medo de enfraquecer-me diante do outro. Porque não escrever a poesia sem rimas que está em minha cabeça, com as palavras de amor que precisam ser ditas? Por que não cantar ao seu ouvido, fazê-la sorrir? Por que não convidá-la para dançar? Por que não falar dos meus sentimentos?
Certamente porque somos egoístas demais para fazer alguém muito feliz e consequentemente, medrosos, temerosos da opinião alheia.
E assim, todas as vezes que nos omitimos diante de nossos desejos mais íntimos, ou nos omitimos em demonstrar nossos sentimentos, estamos criando pedras dentro de nós. Amarguras que vão desaguar em algum tipo de doença.
Estamos deixando de ser felizes e fazer as pessoas felizes, estamos sendo maus e injustos.
É tão bom sorrir, gargalhar... É tão necessário chorar! É tão bom viver, assobiar, tomar banho de chuva, caminhar de pés descalços, dançar descompassado, abrir a janela e cantarolar ... É tão bom ser a gente mesmo, desnudos, sem máscaras e preconceitos. É tão bom ser "gente" podendo imitar Deus, sendo feliz naturalmente, em pleno gozo do nosso direito de viver!
É tão bom me permitir ser feliz!
