terça-feira, 30 de junho de 2009

Um Mundo Faminto e Envergonhado....


De todas as nossas mazelas, a fome é a que mais agride nossa consciência coletiva. Sabemos que muito poderia ser feito para evitar as cenas com as quais nos deparamos nas esquinas de nossas residências, ou para erradicar cenas de países africanos onde a população morre literalmente de fome.


Nessas situações faltou vontade dos governos e das sociedades para resolver essa barbaria, que se aproxima de um holocausto quando vista nas dimensões de um continente como a África.


A comida do dia-a-dia deveria ser direito de todos, indistinta e independentemente de qualquer classe social. Todos deveriam ter o direito de fazer três refeições por dia. Dinheiro para isso os governos têm, ou, se não têm, de onde vieram todos esses recursos que surgiram para pagar o tombo financeiro dado por banqueiros e investidores gananciosos? Afinal, sempre nos foi dito que não havia dinheiro para salvar as vidas desses coitados famintos, que para sua infelicidade o seu maior pecado foi ter nascido na família ou no país errado.


Constatamos agora nesse turbilhão em que vivemos que fortunas foram dizimadas em segundos, e os governos usaram e continuam a usar trilhões de dólares para salvar esse sistema financeiro que, por falta de regulamentação dos próprios governos, chegou a essa situação. A pergunta que todos farão em um futuro muito próximo é: Por que para eles os banqueiros tinham dinheiro e para eliminar a fome no mundo não?


Os presidentes dessas nações, que estão torrando as economias de seus compatriotas, terão que prestar contas para a história e, talvez, para os futuros governantes.


De que valem essas somas estratosféricas transitando pelos computadores das Bolsas de Valores ou dos vários tipos de Fundos de Aplicações, ou das outras instituições criadas para se beneficiar dessa farra financeira, se a coisa mais importante para todos nós, que é a vida, está sendo desprezada e desconsiderada a níveis absurdamente ridículos?


Enquanto escrevo estas linhas muitas coisas acontecem pelo mundo. Sei que expresso o que milhões pensam ou até dizem, porém, temos que fazer mais do que discordar desse absurdo consentido pela nossa passividade. Temos que começar a mudar as coisas no trabalho, no voto, nas reuniões sociais, nas escolas e universidades, enfim, em todos os lugares onde, pacificamente e de forma civilizada, possamos nos manifestar. E aí quem sabe num futuro próximo possamos viver em um mundo sustentável, alimentado e justo.